61 - A FORÇA DA GRATIDÃO
Fonte: Zuuc
Era uma manhã comum quando Ana, já cansada da rotina corrida, entrou no ônibus a caminho do trabalho. Com os olhos pesados e o coração cheio de queixas, ela pensava em tudo o que ainda teria que enfrentar naquele dia.
Sentou-se ao lado de uma senhora de cabelos brancos, que sorria serenamente, mesmo diante da multidão e do barulho. Ana, intrigada, perguntou:
— A senhora não se incomoda com tudo isso? O calor, a demora, o empurra-empurra?
A idosa olhou para ela com bondade e respondeu:
— Minha filha, já vivi muitas coisas. Descobri que quando agradeço pelo pouco, recebo muito. Hoje, agradeço por estar viva, por ter saúde e até por este ônibus cheio, pois me leva até onde preciso ir.
Ana ficou em silêncio. Pela primeira vez em dias, percebeu que, apesar das dificuldades, havia muito pelo que ser grata. Lembrou-se de sua família, de seu emprego e até da chance de recomeçar cada manhã.
Naquele instante, o peso em seu coração diminuiu. O sorriso da senhora parecia ter iluminado sua alma.
Lição: A gratidão não muda os fatos, mas transforma a forma como os enxergamos. Quem aprende a agradecer, descobre que sempre tem motivos para sorrir.
60 - A MESA DO VELHO AVÔ
Fonte: nd
Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora e o neto mais velho de quatro anos.
Com o tempo, a família percebeu que os atos mais simples do seu dia-a-dia se tornavam extremamente penosos para aquele homem de mãos trêmulas, visão embaralhada e passo hesitante. A família comia junto com ele. Mas as mãos trêmulas do avô ancião e sua visão deficiente tornavam difíceis até mesmo o ato de comer. Ervilhas rolavam da sua colher sobre o chão e não raras eram as vezes em que o avô, sem o domínio das mãos, derramava leite na toalha ou no chão. A bagunça e o trabalho, com o tempo, começaram a irritar o filho e a nora daquele homem.
— Temos que fazer algo com relação a vovô, observou o filho, ele já derramou leite e comida no chão várias vezes.
Assim, decidiram, o marido e a esposa, preparar uma mesa pequena no canto da sala. Lá, o avô iria comer sozinho, enquanto o resto da família desfrutaria do jantar a sós.
Desde que o avô quebrou dois pratos, a comida dele era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava de relance em sua direção, percebia uma lágrima rolar dos seus olhos. Ainda assim, o casal o advertia impiedosamente quando ele derrubava um garfo ou derramava comida no chão.
O neto de quatro anos presenciava tudo em silêncio. Certa noite, antes da ceia, o pai notou que o filho estava brincando no chão com pedaços de madeira. Perguntou-lhe, docemente:
— O que está fazendo, filho?
Da mesma maneira dócil, o menino respondeu-lhe:
— Estou fabricando uma pequena tigela para você e mamãe comerem sua comida quando eu crescer.
O garoto sorriu para o pai e voltou a trabalhar.
As palavras do menino golpearam os pais profundamente e lágrimas começaram a fluir dos seus rostos. Nenhuma palavra foi dita, porque ambos sabiam o que devia ser feito.
Naquela noite, o marido pegou a mão do ancião e, com suavidade, conduziu-o à mesa da família, onde passou a fazer as refeições até o último dos seus dias. E, por alguma razão, nem marido nem esposa pareciam se preocupar mais quando um garfo era derrubado, o leite derramado, ou quando a toalha da mesa se sujava.
As crianças são notavelmente perceptivas. Os olhos delas observam com mais acuidade e suas mentes sempre processam as mensagens que elas absorvem. Se nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera feliz em nossa casa, para nossos familiares, imitarão aquela atitude no decorrer de suas vidas.
O pai sábio percebe isso diariamente: que o alicerce está sendo construído para o futuro da criança. Sejamos sábios construtores de bons exemplos de comportamento de vida em nossas funções.
59 - A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO.
Fonte: ND
O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo, chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado. Antes que seu pai lhe dissesse alguma coisa, fala-lhe irritado:
— Pai, estou com muita raiva. Juca humilhou-me na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ficasse doente, sem poder ir à escola. Desejo-lhe tudo de ruim.
Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho, que continua a reclamar. O pai ouve tudo calado, enquanto caminha até um abrigo, onde guardava um saco cheio de carvão. Leva o saco até o fundo do quintal e o menino acompanha-o, calado. Zeca vê o saco ser aberto e, antes mesmo que pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe-lhe algo:
— Filho, faça de conta que aquela camisa branquinha, que está secando no varal, é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, dirigido a ele. Quero que jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal, com a camisa, estava longe dele e poucos pedaços acertam o alvo. Uma hora se passa e Zeca termina a tarefa.
O pai, que espiava tudo de longe, aproxima-se do menino e pergunta-lhe:
— Filho, como se sente agora?
— Estou cansado, mas alegre, porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o filho, que fica sem entender a razão daquela brincadeira e, carinhoso, diz-lhe:
— Venha comigo até meu quarto, quero mostrar-lhe uma coisa.
Zeca acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho, onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só conseguia enxergar os dentes e os olhos.
O pai, então, fala-lhe ternamente:
— Filho, você viu que a camisa está suja, mas olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
9 - O SÁBIO SAMURAI
Fonte: Nd
Perto de Tóquio, vivia um grande samurai, já idoso, que agora se dedicava a ensinar Zen aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário.
Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Era famoso por utilizar a técnica da provocação. Esperava que seu adversário fizesse o primeiro movimento e, dotado de uma inteligência privilegiada para observar os erros cometidos, contra-atacava com velocidade fulminante. O jovem e impaciente guerreiro jamais havia perdido uma luta. Conhecendo a reputação do samurai, estava ali para derrotá-lo e aumentar sua fama.
Todos os estudantes se manifestaram contra a idéia, mas o velho e sábio samurai aceitou o desafio. Foram todos para a praça da cidade. Lá, o jovem começou a insultar o velho mestre. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou todos os insultos que conhecia, ofendendo, inclusive, seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho sábio permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro desistiu e retirou-se.
Desapontados pelo fato de o mestre ter aceitado tantos insultos e tantas provocações, os alunos perguntaram: — Como o senhor pôde suportar tanta indignidade? Por que não usou sua espada, mesmo sabendo que poderia perder a luta, ao invés de se mostrar covarde e medroso diante de todos nós?
Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? — perguntou o Samurai.
A quem tentou entregá-lo — respondeu um dos discípulos.
O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos — disse o mestre. — Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carrega consigo. A sua paz interior, depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a serenidade, só se você permitir!
2 - AS DUAS VIZINHAS
Fonte: Nd
Havia duas vizinhas que viviam em pé de guerra. Não podiam se encontrar na rua que era briga na certa.Depois de um tempo, dona Maria descobriu o verdadeiro valor da amizade e resolveu que iria fazer as pazes com dona Clotilde. Ao se encontrarem na rua, muito humildemente, disse dona Maria: Minha querida Clotilde, já estamos nessa desavença há anos e sem nenhum motivo aparente. Estou propondo para você que façamos as pazes e vivamos como duas boas e velhas amigas.
Dona Clotilde, na hora estranhou a atitude da velha rival, e disse que
iria pensar no caso. Pelo caminho foi matutando... Essa dona Maria não
me engana, está querendo me aprontar alguma coisa e eu não vou deixar
barato. Vou mandar-lhe um presente para ver sua reação.
Chegando em casa, preparou uma bela cesta de presentes, cobrindo-a com
um lindo papel, mas encheu-a de esterco de vaca. "Eu adoraria ver a
cara da dona Maria ao receber esse maravilhoso presente. Vamos ver se
ela vai gostar dessa". Mandou a empregada levar o presente à casa da
rival, com um bilhete: "Aceito sua proposta de paz e para selarmos
nosso compromisso, envio-te esse lindo presente".
Dona Maria estranhou o presente, mas não exaltou. Que ela está propondo
com isso? Não estamos fazendo as pazes? Bem, deixa pra lá. Alguns dias
depois dona Clotilde atende a porta e recebe uma linda cesta de
presentes coberta com um belo papel.
É a vingança daquela asquerosa da Maria. Que será que ela me aprontou!
Qual foi sua surpresa ao abrir a cesta e ver lindo arranjo das mais
belas flores que podiam existir num jardim, e um cartão com a seguinte
mensagem: "Estas flores é o que te ofereço em prova da minha amizade.
Foram cultivadas com o esterco que você me enviou e que proporcionou
excelente adubo para meu jardim. Afinal, cada um dá o que tem em
abundância em sua vida".
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