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86 Artigos - MOTIVAÇAO
66 - A PONTE SOBRE O ABISMO
Fonte: Zuuc
Havia, em terras antigas, duas aldeias separadas por um profundo abismo. O desfiladeiro era tão largo que o eco da voz demorava a voltar, e tão fundo que o olhar não alcançava o fundo pedregoso. Durante gerações, os moradores de um lado e do outro aprenderam a viver sem atravessar: trocavam olhares desconfiados à distância e criavam histórias de medo sobre os vizinhos que jamais conheciam de perto.

Num dos povoados vivia um jovem chamado Samuel, filho de um carpinteiro. Era curioso e não aceitava viver de rumores. Muitas vezes, sentava-se na beira do abismo e imaginava como seria o outro lado: as casas, as pessoas, os costumes. Seu pai, cansado de suas perguntas, dizia sempre:

— Filho, esquece isso. Esse abismo está aí para nos separar. Assim foi e assim será.

Mas Samuel não se conformava. Certa manhã, levando apenas ferramentas simples e alguns troncos de madeira, desceu até a beira mais estreita do desfiladeiro e começou a trabalhar. Enquanto todos riam e zombavam, ele cortava, pregava e ajustava tábuas. Dia após dia, voltou ao mesmo lugar. Suas mãos criaram calos, suas costas doíam, mas o desejo de unir o que estava separado era maior do que o cansaço.

Do outro lado, uma jovem chamada Ester observava. Também sentia a mesma inquietação: não queria viver do medo herdado. Um dia, tomou coragem, desceu até a margem oposta e começou a ajudar o desconhecido. Samuel e Ester não podiam ainda se tocar, mas trocavam sorrisos e gestos. Cada tábua colocada era um pedaço de confiança, cada martelada era uma esperança pregada no vazio.

Muitos zombaram deles: — Vocês vão cair! Esse esforço é inútil!

Outros os chamavam de traidores, dizendo que não deviam se aproximar de “inimigos”. Mas os dois continuaram, acreditando que o amor e a amizade eram mais fortes que os ecos de desconfiança. O trabalho durou semanas. Até que, numa tarde em que o sol tingia o céu de vermelho, a última tábua foi fixada. Samuel atravessou primeiro, hesitante, mas firme. Do outro lado, encontrou Ester e, pela primeira vez, deram-se as mãos.

Os aldeões, incrédulos, viram dois jovens de lados opostos caminharem juntos sobre a ponte recém-nascida. E, como a coragem também é contagiosa, outros começaram a atravessar. No início, com medo, depois, com alegria. Mercadorias passaram a ser trocadas, famílias a se conhecer, amizades e até casamentos nasceram do gesto simples de não aceitar o abismo como sentença eterna.

Anos depois, quando Samuel e Ester já estavam velhos, sentaram-se sobre a ponte que haviam construído. Crianças corriam de um lado para o outro, sem nem imaginar que antes ali só havia silêncio e medo. Samuel olhou para a companheira e disse:

— O abismo ainda existe. Mas a ponte nos ensinou que não precisamos cair nele. O amor e a confiança podem ligar até o que parece impossível.

Ester sorriu, apertando-lhe a mão enrugada:

— Toda vez que alguém escolhe perdoar, compreender ou se aproximar, uma nova tábua é colocada nessa ponte. Que ela nunca deixe de crescer.

Lição: O abismo entre as pessoas pode parecer intransponível, mas o amor, o perdão e a coragem de dar o primeiro passo constroem pontes. O que separa pode continuar existindo, mas a escolha de atravessar transforma distâncias em encontros.

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57 - A GAZELA E O LEÃO
Fonte: Nd
Todas as manhãs numa planície da África, uma gazela acorda. Ela sabe que durante o dia deverá correr muito para não ser devorada por um leão.

Todas as manhãs numa planície da África, um leão também acorda. Ele sabe que durante o dia deverá correr muito para poder caçar uma gazela e não morrer de fome.

Não importa se nos dias de hoje você se identifica mais com um leão ou com uma gazela.

O importante é que ao primeiro raio de sol você já esteja correndo.

Ou você corre pra viver, ou a vida corre pra te derrubar.

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58 - O QUADRO
Fonte: nd
Um homem havia pintado um lindo quadro. No dia de apresentá-lo ao público, convidou todo mundo para vê-lo. Compareceram as autoridades do local, fotógrafos, jornalistas, e muita gente, pois o pintor era muito famoso e um grande artista.

Chegado o momento, tirou-se o pano que velava o quadro. Houve caloroso aplauso. Era uma impressionante figura de Jesus batendo suavemente à porta de uma casa.

O Cristo parecia vivo. Com o ouvido junto à porta, Ele parecia querer ouvir se lá dentro alguém respondia. Houve discursos e elogios. Todos admiravam aquela obra de arte. Um observador curioso porém, achou uma falha no quadro: A porta não tinha fechadura. E foi perguntar ao artista:

— Sua porta não tem fechadura! Como se fará para abri-la?

— É assim mesmo — respondeu o pintor

— Esta é a porta do coração humano. — Só se abre do lado de dentro.

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59 - A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO.
Fonte: ND
O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo, chama o menino para uma conversa.

Zeca, de oito anos de idade, acompanha-o desconfiado. Antes que seu pai lhe dissesse alguma coisa, fala-lhe irritado:

— Pai, estou com muita raiva. Juca humilhou-me na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ficasse doente, sem poder ir à escola. Desejo-lhe tudo de ruim.

Seu pai, um homem simples, mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho, que continua a reclamar. O pai ouve tudo calado, enquanto caminha até um abrigo, onde guardava um saco cheio de carvão. Leva o saco até o fundo do quintal e o menino acompanha-o, calado. Zeca vê o saco ser aberto e, antes mesmo que pudesse fazer uma pergunta, o pai propõe-lhe algo:

— Filho, faça de conta que aquela camisa branquinha, que está secando no varal, é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu, dirigido a ele. Quero que jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois volto para ver como ficou.

O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal, com a camisa, estava longe dele e poucos pedaços acertam o alvo. Uma hora se passa e Zeca termina a tarefa.

O pai, que espiava tudo de longe, aproxima-se do menino e pergunta-lhe:

— Filho, como se sente agora?

— Estou cansado, mas alegre, porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa. O pai olha para o filho, que fica sem entender a razão daquela brincadeira e, carinhoso, diz-lhe:

— Venha comigo até meu quarto, quero mostrar-lhe uma coisa.

Zeca acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho, onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só conseguia enxergar os dentes e os olhos.

O pai, então, fala-lhe ternamente:

— Filho, você viu que a camisa está suja, mas olhe só para você. O mau que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.

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60 - A MESA DO VELHO AVÔ
Fonte: nd
Um frágil e velho homem foi viver com seu filho, a nora e o neto mais velho de quatro anos.

Com o tempo, a família percebeu que os atos mais simples do seu dia-a-dia se tornavam extremamente penosos para aquele homem de mãos trêmulas, visão embaralhada e passo hesitante. A família comia junto com ele. Mas as mãos trêmulas do avô ancião e sua visão deficiente tornavam difíceis até mesmo o ato de comer. Ervilhas rolavam da sua colher sobre o chão e não raras eram as vezes em que o avô, sem o domínio das mãos, derramava leite na toalha ou no chão. A bagunça e o trabalho, com o tempo, começaram a irritar o filho e a nora daquele homem.

— Temos que fazer algo com relação a vovô, observou o filho, ele já derramou leite e comida no chão várias vezes.

Assim, decidiram, o marido e a esposa, preparar uma mesa pequena no canto da sala. Lá, o avô iria comer sozinho, enquanto o resto da família desfrutaria do jantar a sós.

Desde que o avô quebrou dois pratos, a comida dele era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava de relance em sua direção, percebia uma lágrima rolar dos seus olhos. Ainda assim, o casal o advertia impiedosamente quando ele derrubava um garfo ou derramava comida no chão.

O neto de quatro anos presenciava tudo em silêncio. Certa noite, antes da ceia, o pai notou que o filho estava brincando no chão com pedaços de madeira. Perguntou-lhe, docemente:

— O que está fazendo, filho?

Da mesma maneira dócil, o menino respondeu-lhe:

— Estou fabricando uma pequena tigela para você e mamãe comerem sua comida quando eu crescer.

O garoto sorriu para o pai e voltou a trabalhar.

As palavras do menino golpearam os pais profundamente e lágrimas começaram a fluir dos seus rostos. Nenhuma palavra foi dita, porque ambos sabiam o que devia ser feito.

Naquela noite, o marido pegou a mão do ancião e, com suavidade, conduziu-o à mesa da família, onde passou a fazer as refeições até o último dos seus dias. E, por alguma razão, nem marido nem esposa pareciam se preocupar mais quando um garfo era derrubado, o leite derramado, ou quando a toalha da mesa se sujava.

As crianças são notavelmente perceptivas. Os olhos delas observam com mais acuidade e suas mentes sempre processam as mensagens que elas absorvem. Se nos vêem pacientemente providenciar uma atmosfera feliz em nossa casa, para nossos familiares, imitarão aquela atitude no decorrer de suas vidas.

O pai sábio percebe isso diariamente: que o alicerce está sendo construído para o futuro da criança. Sejamos sábios construtores de bons exemplos de comportamento de vida em nossas funções.

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